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Linha de Muito Alta Tensão: «O embuste dos poderosos»

Trava-se em Barcelos uma luta, que até ao momento não saiu dos encontros de gabinete e da Assembleia da Republica, mas que teve o mérito de incomodar, perturbar, intrometer-se num jogo político que parecia reservado ao Presidente da Câmara e à sua magnanimidade no uso do poder, que segundo o próprio, as urnas lhe conferiram, e por isso exerce. Como se o jogo democrático se confinasse a esse tipo de relação.

Em democracia, exerce-se o poder por via de eleições livres e democráticas, porém aquele que o faz sem escutar, sem perceber os sinais de descontentamento ou crítica, é apenas um instrumento arrogante do seu egocentrismo.

Dialogar com as pessoas, com os agentes políticos, coordenar opiniões e sensibilidades, deve ser tarefa de quem governa.

Um provérbio oriental atribuído a Lao-Tse diz: «Conhecer os outros é inteligência, conhecer-se a si próprio é verdadeira sabedoria. Controlar os outros é força, controlar-se a si próprio é verdadeiro poder».

Que falta faz a Barcelos gente sem ânsia de controlar os outros.

A Comissão Municipal Contra a Linha de Muito Alta Tensão, tem feito um excelente trabalho, expresso na forma incisiva como marca presença nos palcos da discussão democrática nacional, como fez chegar descontentamento, e atrevo-me a dizer, informação não considerada, por quem emite Declarações de Impacto Ambiental ou decide a partir do gabinete.

O Presidente da Câmara, apesar de ter um representante na Comissão, trabalha à parte neste dossier, no tal exercício de poder legitimado pelas urnas.

Encontra-se com governantes, com representantes da REN, com o empreiteiro, enfim, exerce o seu poder, e, tem que se dizer, com o beneplácito de alguns desses governantes e dirigentes, que nunca se dignaram receber a Comissão Municipal, legitimamente constituída, transversal a todas as cores políticas, por isso também, amplamente representativa dos cidadãos.

O actual momento, que o Secretário de Estado da Energia não considera de «suspensão», porque no seu entendimento ainda não licenciou a obra, tendo garantido que só o faz após larga auscultação, é um embuste. Um malabarismo para ganhar tempo e deixar para depois das eleições uma decisão.

Mais uma vez, o poder manda. E o poder da REN, que tem tentáculos na governação, no Estado, precisa desse tempo para nos enganar a todos.

O presidente da REN já alterou o paradigma. Já não fala em auto-estrada da energia, transeuropeia, mas em estrada secundária, que vai absorver a energia das barragens de Salamonde e Venda Nova, para não sobrecarregar a Linha existente. Diz que é para benefício das populações...

Um embuste, porque a Linha está parada na Galiza, devido à forte contestação popular, e o próprio governo espanhol reconheceu na última Cimeira Ibérica, que é uma questão para se colocar a médio prazo.

Querem enganar o tolo. Construir a Linha como se fosse uma obra necessária às populações e depois fazer a ligação a Espanha quando o processo estiver desbloqueado.

É por isso tempo de vir para a rua, de dizer convictamente NÃO à mentira e defender Barcelos.