A conversa entre o deputado da Assembleia da República, eleito pelo Bloco de Esquerda, Pedro Soares, e o Presidente da Câmara Municipal de Barcelos, Miguel Costa Gomes, iniciou-se pelo Presidente da CM a alertar para os principais constrangimentos ao poder local, nomeadamente a autonomia, o financiamento e a burocracia. Pedro Soares referiu que o Bloco de Esquerda defende a regionalização, que resolve alguns problemas na descentralização da governação.
Mas a reunião centrou-se, essencialmente, em três aspetos fundamentais e urgentes para o município: a municipalização do serviço de água e saneamento, a linha de muito alta tensão e o hospital.
Primeiro, o Presidente da CM expôs o estado atual da negociação com vista a tornar a distribuição de água em Barcelos novamente pública. Miguel Costa Gomes admitiu que o financiamento está em andamento e, em fevereiro, a primeira tranche do contrato de resolução já será paga à empresa que atualmente concessiona o serviço. Pedro Soares concorda com a medida e defende que pode ser uma oportunidade para reajustar os tarifários, de forma a diminuir o custo médio da água por família. O deputado do BE alerta, também, para os constrangimentos financeiros que o município poderá atravessar, ao contrair uma dívida tão avultada. O Presidente da CM esclarece, que o serviço de águas é rentável, pelo que a dívida será paga através da sua atividade.
A seguir, foi abordado a linha de muito alta tensão, que poderá vir a atravessar o concelho de Barcelos, e que muito preocupa a população local, quer pelas questões de saúde, como pelo impacto visual e ambiental. O Presidente da CM deu conhecimento das reuniões que teve com a REN e as propostas que o município apresentou, nomeadamente, a possibilidade da linha de muito alta tensão ser colocada paralela à autoestrada A28. Pedro Soares defendeu que a REN tem capacidade financeira para assumir o investimento necessário à criação de canais subterrâneos que permitam a passagem da linha pelas povoações.
Por último, Pedro Soares demonstrou o desagrado pelo diploma que desqualificou a urgência de Barcelos, aprovado apressadamente pelo anterior Ministro da Saúde, que afasta ainda mais o acesso da população à saúde. José Maria Cardoso afirmou que a população precisa de um serviço de proximidade com qualidade e, por isso, defende a construção de um novo hospital que sirva a população de Barcelos e Esposende. Miguel Costa Gomes garantiu que a CM de Barcelos disponibilizará os terrenos para a sua construção, conforme previsto no PDM, se o Governo atribuir verba do orçamento de estado para tal.