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Barcelos, que futuro político?

Passada a fase do espanto e da incredulidade. Arrogada a aberração da injúria e refrescada a crispação do insulto. Escalpelizados os fundamentos da contenda, contadas as “espingardas” das fações e enviados recados de culpabilização. Chegados ao ponto em que uns autovitimizam-se pela deslealdade e pelo abandono e se autointitulam fieis depositários do grandioso projeto de desenvolvimento, que nos mais de seis anos de governação ninguém deu por isso. E outros autoavaliam-se com qualidades de valores e atitudes de solidariedade nunca vistas e autocertificam-se por uma manietada auscultação interna, como que a validar as razões do desquito. Percebemos que esta brincadeira é a sério e que as consequências são mesmo graves. E os munícipes que têm a dizer sobre isto? Perante uma Câmara de vereação maioritária, a quem foi incumbido o compromisso dos destinos da autarquia, que se desonra e inimiza interpares, que se enxovalha e destrata publicamente. Que falta de respeito e consideração por uma população que representam.

Já há mais de um mês que a “bomba” detonou e ainda ninguém teve o elementar cuidado de apresentar à população uma explicação crível e firmada em factos, que vá para além da intriga e da insidiosa luta fratricida pelo poder. Que permita atenuar especulações e objetivar interpretações. Que transmita uma palavra de segurança e amaine desânimos. Ou será que a situação é tão insólita que não tem justificação? A desavença esteve a maturar, em vinha-d’alho no cozinhado dos gabinetes da discórdia. Abrigou-se no regaço do disfarce e alimentou-se da patranha da complementaridade e “ligação perfeita”. Fez crescer e infetou as entranhas do abominável monstro do pedantismo. Agora que o bicho saltou a cerca da confidência, ninguém sabe o que fazer nem prever consequências.

Urge respeitar os barcelenses e ter a coragem de assumir culpas e enfrentar problemas, num raciocínio com método e tempo adequado à argumentação dos factos. Como estarão desiludidos os que se iludiram e acreditaram na mudança? Como estarão despeitados muitos dos que contribuíram (com trabalho, militância, voto) para a eleição deste executivo camarário? Como estarão expetantes os que já fazem as contas de regresso ao poder? Como estarão desacreditados os que nunca acreditaram na política? Como estarão envergonhados os que consideram que o exercício de cargos públicos exige honradez e dignidade, em nada compatíveis com o sucedido?  

Mesmo não sendo a minha esquerda que protagoniza esta escandaleira local, nem esta governação, agora em derrocada, ser a que alguma vez defendi para o meu concelho, inquieta-me perceber que a estagnação e ingovernabilidade que a incúria e irresponsabilidade política o PS criou, abre fileiras e estende a passadeira à direita.

Exige-se pensar o futuro e ter uma posição crítica, construtiva e determinada.  Aos barcelenses compete serem ativos e procurarem alternativas expressas numa política de proximidade, onde se possa projetar uma visão coletiva para um município aberto e participativo.

Barcelos tem que ter outra conceção de governação local e tem que saber construir as linhas estruturantes de uma cidade e de um concelho, capaz de responder às problemáticas e potencializar recursos, envolvendo sempre os munícipes. A politica é feita por e para as pessoas e de premente vigilância nos interesses coletivos dos cidadãos.

É muito nestes princípios e valores que se distinguem os políticos enquanto pessoas. Há os que têm a fibra do intelecto e a destreza da atitude e percebem que os projetos e ideais constroem-se em nome da população e numa visão de comunidade. E os que têm a mesquinhez mental e a inépcia da fatuidade que os agarra ao poder e enfatiza a individualidade, numa espécie de “dono da bola”.   

Grande desafio que nos está colocado. Construir o futuro político da nossa autarquia. Não podemos abdicar de fazer parte integrante de um projeto que é comum e no qual temos por obrigação estar envolvidos. Sem localismos fervorosos nem bairrismo pacóvio, mas com a valorização do sentido de pertença e o engrandecimento do que é nosso, somos todos Barcelos!