O executivo camarário está derrocado. Exonera-se pela descortesia do não cumprimento aquando da chegada e/ou partida para a capital. Renuncia-se às funções por solidariedade pessoal mesmo que isso implique o não funcionamento institucional para o qual se assumiu o cargo. Revelam-se e usam-se conversas particulares para argumentações públicas, com afronta à mistura. Exaltam-se palavras ásperas e atitudes intimidatórias para aclarar posições. De cada vez que alguém faz uma declaração atiça o braseiro da altercação. Ataca-se pelo poder numa luta fratricida cozinhada em lume brando, desde algum tempo, e destapada à pressão nos últimos dias. Caiu a máscara, “tão amigos que nós éramos!” Impera a emoção, o absurdo e a irresponsabilidade, tudo servido a ferver de cólera e a derramar retaliação. Triste, doloroso e desdenhável espetáculo político por quem tem por obrigação dignificar o exercício do poder local e servir de farol à vida democrática e ao comprometimento com os munícipes. Que imagem depreciativa é dada aos barcelenses e que falta de consideração para quem os elegeu. Não é assim que se faz acreditar na política e na gestão da causa pública. Um desvario de politiquice local que é uma vergonha nacional. E agora? Não me compete avaliar os desacertos, deslealdades ou disparates partidários de quem quer que seja, mas é evidente que o PS fica tisnado, ferido de credibilidade e sem bombeiro para extinguir o afogueio. O que me apoquenta é a Câmara que fica ingovernável, em “estado de sítio” limitada à gestão corriqueira do “deve-haver”. Situação caricata a que assistimos. O PS tem no poder a fação contrária ao partido e o PSD tem na vereação os oposicionistas à direção. Será que está na forja um movimento de desavindos? No meio de todas estas dúvidas a inquietante certeza de que o executivo municipal está irremediavelmente perdido e conduzirá o concelho a uma estagnação de projetos, a uma inércia de desígnios, ao não cumprimento do Plano de Atividades aprovado para o ano corrente e sem futuro para 2017. Ano e meio, no mínimo, de paralisação. É muito tempo e terá muitas consequências políticas, sociais e económicas. E como resolver casos pendentes, dos quais depende o propósito da Câmara, como o da remunicipalização da água e anulação das PPP´s? Exige-se, no imediato, uma clarificação de toda a situação, uma cabal explicação das razões da contenda e uma resposta da edilidade comprometida com os destinos do concelho. Exige-se respeito para com os cidadãos.