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Todo/as pelo concelho todo!

A pré e campanha eleitoral das autárquicas é o palco ideal para debater propostas, confrontar

ideias e proclamar compromissos em nome do exercício do poder local. Grandes desafios se

colocam ao concelho, para os quais as diferentes candidaturas terão de saber questionar e

propositar. Entre outros, realço os seguintes:

 

Como envolver a população nas decisões que a todo/as afeta?

 

Urge implementar medidas que criem condições e estimulem a participação ativa do/as

cidadão/ãs como exercício de um estádio mais avançado de democracia em que as populações

sejam chamadas a intervir nas decisões que a todo/as afeta. Em nome da democracia

participativa sem barreiras nem discriminações, pelo integral respeito das diferentes opiniões

e perspetivas, pela transparência e prestação de contas do exercício dos cargos públicos,

impõe-se despertar o interesse pela participação dotando a população de meios e

mecanismos, mais ativos, mais atentos e mais críticos.

 

Acresce dizer a este propósito, que ao momento em que ouvimos falar de milhões do PRR e do

Portugal 2030 a distribuir pelas autarquias, sem desconfiar de ninguém, mas em nome da

transparência e da adequada aplicação dos fundos, temos de acionar o princípio da precaução

e ter como preceito despertar a vigilância e o escrutínio da aplicação do dinheiro público.

 

Como contribuir para o combate às alterações climáticas?

 

Relatórios científicos recentes dizem que os efeitos devastadores das alterações climáticas ir-

se-ão sentir cada vez com maior intensidade e mais cedo do que o previsto. O problema é de

hoje e não do futuro e o combate a esta calamidade, que a humanidade criou e alimenta, tem

de estar no centro das políticas de intervenção imediata com projetos de mudança que levem

à adoção de novos modelos de desenvolvimento.

 

Estes projetos locais passarão muito pela preservação da biodiversidade e racional utilização

dos recursos endógenos, pela execução de planos municipais de eficiência energética, pelos

modos de mobilidade suave e eficientes redes de transportes públicos coletivos, pelo

ordenamento territorial e planos municipais de defesa da floresta contra incêndios (Barcelos

não tem o PMDFCI atualizado), pelo modelo de urbanismo que construa cidades para as

pessoas numa distribuição democrática e igualitária de acesso a bens e serviços e em

harmonia com o meio ambiente e preservação dos recursos naturais.

 

Como inverter tendências e resultados?

 

Barcelos tem perdido população (- 4,5% entre 2009 e 2020 - PORDATA) com especial

incidência nos escalões etários entre 20 e 30 anos, o que configura uma perda de mão-de-obra

jovem e qualificada. Apresentamos um índice de poder de compra bem inferior à média

nacional, assim como o ganho médio mensal (PORDATA). Equiparado ao quadrilátero urbano

do distrito temos os piores resultados em vários indicadores económicos e sociais.

Vergonhosamente temos uma rede de saneamento básico muito deficitária e de expansão

estagnada há mais de uma década.

 

Admitindo que não há uma visão única de inverter e alterar estes desfavoráveis indicadores, é

preciso criar condições para um debate alargado e plural que confronte argumentos, aclare

posições e discuta projetos e ideias. Cada candidatura terá de assumir com a população um contrato prospetivo de desenvolvimento local, que assentando na realidade atual defina

objetivos e projete o concelho na valorização das potencialidades.

 

Que propostas para o imediato e que visão estrutural para o futuro?

 

A crise económico-social resultante da pandemia, que atinge mais os mais fragilizados e que

acentuou desigualdades, determina políticas de apoio e intervenção direta imediata. Que

propostas para acorrer a estas situações, muitas vezes dramáticas?

A construção de um novo hospital é uma legitima ambição dos barcelenses. Há décadas que as

promessas, locais e nacionais, são recorrentes, o que até já faz desacreditar na concretização.

É verdade que a decisão é do poder central mas compete ao poder local criar forças de pressão

capazes de serem fortemente reivindicativas pela intransigente defesa desta evidente e

premente infraestrutura. Até agora, em sucessivos executivos camarários, não se descortinou

qualquer estratégia.

 

Que plano reivindicativo está idealizado?

 

Serviço de abastecimento de água e saneamento, nódoa indissolúvel de crime e

incompetência de gestão autárquica. Se ao PSD se atribui a maternidade do dislate ao

privatizar, ao PS temos de atribuir o recorrente despautério de piorar o mau.

 

Remunicipalização pelo resgate da concessão ou por negociação? Participação maioritária ou

minoritária no capital social da empresa? Outras hipóteses?

 

Rio Cávado, a eterna promessa de despoluição e fruição. O PSD assistiu passivamente e foi

conivente com a agoniante conspurcação das águas e com o abandono das margens. Barcelos

cresceu de costas voltadas para o rio. O PS teve laivos de reabilitação, encetou programas de

recuperação, mas desistiu da despoluição. Este recurso natural, progenitor da cidade, não

pode esperar mais para ser devolvido ao/às barcelenses. Que planos de intervenção estão

idealizados e de que forma poderão ser rapidamente implementados?

 

As cidades são pessoas e os modelos de crescimento têm de ser pensados para o seu bem-

estar e têm de ser projetados como espaços públicos de sociabilização. A cidade tem de

congregar a história, o património, a identidade, com a inovação, a modernidade, a

oportunidade. O autarca da gestão doméstica, do betão e da obra da conveniência, tem que

dar lugar ao autarca do social, do ambiental, da qualidade de vida. Que cidade defendemos

que concelho queremos para daqui a 20/30 anos?

 

Porque é tempo de agir e de assumir políticas de intervenção local e regional. Porque é tempo

de apresentar programas e definir objetivos de ação. Porque é tempo de ir à luta pelo que

defendemos e propomos e do que nos distingue e identifica. A candidatura do Bloco de

Esquerda, da qual faço parte, assume esses compromissos e está pronta para um debate plural

e profícuo capaz de esclarecer e abrir horizontes de opções ao/às eleitore/as

Da parte do BE podem os/as barcelenses contar com a atitude democrática de envolver

todo/as na discussão do que é discutível e que a todo/as afeta. Confiem em nós porque somos

de confiança.