Share |

Urge fazer acontecer!

Começo por manifestar uma espécie de declaração de interesses em relação ao que aqui escrevo. Faço-o na qualidade de candidato do BE pelo Círculo Eleitoral de Braga e, por tal, a opinião é assumidamente partidária e de parcial apreciação.

O nosso distrito é o terceiro mais populoso do país e o mais jovem, consequentemente com um grande potencial de crescimento demográfico. Tem um valioso património histórico de uma singular identidade cultural, aliado a grandes centros de inovação e modernidade. Tem imensos recursos endógenos num percurso que vai do mar à serra, num território de cidades de progresso e comunidades rurais a valorizar.

Mas também tem assimetrias gritantes sendo como que um fiel espelho das desigualdades nacionais.

Tem dinamismo urbano com elevada densidade populacional e tem concelhos rurais em desertificação humana. Tem pujança académica com reputados centros universitários, ao mesmo tempo que perduram vergonhosas taxas de analbafetismo. Tem áreas industriais de criação de riqueza e com peso na economia nacional, muito assente num operariado com baixa formação a auferir salários baixíssimos. Contrasta, muitas vezes paredes-meias, entre faustosas fortunas com sumptuosas vivendas e franjas de pobreza com precários casebres.

É muito para lutar contra estas obscenas disparidades, para promover o equilíbrio e a coesão territorial, para criar oportunidades com políticas que respondam aos reais problemas da população, que esta candidatura do BE apresenta no seu programa eleitoral um conjunto de medidas, das quais destaco algumas das vertentes prioritárias de intervenção.

- Na abrangência do combate às alterações climáticas - não como um slogan em jeito de campanha publicitária mas como uma transformação dos processos de produção e dos hábitos de consumo e como construção de um outro paradigma de sociedade em nada compatível com a voracidade imediatista e lucrativa do capitalismo - importa preservar reservas naturais, despoluir rios e ribeiras, travar a exploração desordenada de recursos naturais e minerais, assegurar redes de saneamento e racionalizar consumos de água, garantir ligações ferroviárias e estimular transportes coletivos intra e interconcelhios com aplicação do programa de redução tarifária.

- Democratização da economia com exigência de cumprimento dos direitos no emprego, com legislação que dignifique o trabalho e que se traduza numa efetiva melhoria das condições de vida da população. Diversificação do tipo de indústria, transformação dos modos de produção agrícola e controle florestal, introduzindo programas de economia circular e de promoção dos produtos locais, acompanhados de forte investimento na formação profissional.

- Serviços públicos de qualidade, nomeadamente no campo da Saúde e concretamente com a construção do novo Hospital de Barcelos, alargamento da rede de USF e SAP

- Práticas de exercício da democracia participativa que efetivamente descentralizem tomadas de decisão criando instrumentos e mecanismos que incentivam a cidadania, como por exemplo consultas populares sobre reversão da fusão do mapa de freguesias, criação de poderes intermédios através da regionalização, aplicação prática e séria de orçamentos participativos.

- Asseveração de direitos contra o Conservadorismo e o Preconceito, como o direito à vida independente das pessoas com deficiência, os direitos LGBTi contra a homofobia e a transfobia, despenalização da morte assistida, defesa do bem-estar animal. Colocar estas temáticas na agenda dos debates confrontando ideias reacionárias e discriminatórias, é um trabalho de sapa, de contacto, de enfrentamento, que é preciso fazer.

O tempo é de escolhas e ao fazer opção eleitoral estamos a definir o futuro das nossas vidas. Sem sobranceria dirigista sobre o voto de quem quer que seja, nem fazendo alarde a perspetivas vitoriosas, mas somente como leitura política do previsível, penso que a questão coloca-se entre PS ganhar as eleições com ou sem maioria absoluta. E aqui reside toda a diferença. Todos sabemos bem os resultados destas maiorias. Perversão da própria democracia com efeitos nefastos de um poder autoritário. No leque das opções, esta lista do BE Braga apresenta-se como uma alternativa credível e de confiança perante os eleitores do distrito. Assim faremos porque assim somos e temos comprovado. Contem connosco, que não vos desapontaremos. Urge fazer acontecer o muito que está por fazer.

 

 

Artigo publicado no Jornal de Barcelos