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A única semelhança é a Diferença!

Em Agosto a política local costuma ir a banhos, mas este ano foi a procissões, peregrinações e outros cerimonialismos sagrados. À sombra do pálio, a coberto da igreja e acolitado pela gente nobre, é preciso mostrar ao povo quem a divindade escolheu para os destinos da terra. Como o pálio não albergava todos, até porque a lotação estava reservada, outros ficaram-se por festas de pôr-do-sol com artistas de renome e bar aberto, e disputaram visibilidade nas inaugurações. Outros ainda, vestiram as bermudas da moda, enfiaram o colete salva-dejetos, saltaram para a proa dos engalanados botes e num ato de rebeldia juvenil desceram o rio que conspurcaram. Pudesse o Cávado arpoar, que teriam ficado com o cunho da falta de vergonha. 30 anos de autarquia absoluta e nada fizeram para travar a criminosa poluição das águas, a contínua contaminação da fauna e da flora, o desprezo e o abandono pelo progenitor da nossa urbe. O vosso partido é o responsável por esta nódoa, que nenhuma hipócrita barrela a retirará da memória dos barcelenses.

Todos se querem ilibar de responsabilidades e mostrar a candura dos seus atos, como que efabulando a virgindade politica.

Pelo meio disto tudo, fomos brindados com a revista municipal, ardilosamente intitulada de Cidadania. Para além da usual exorbitante galeria de fotos do Sr. Presidente, como instrumento de culto de personalidade à boa maneira despótica, este número também oferece uma coleção de simulações em 3D sobre recuperações, remodelações, reabilitações e requalificações urbanas capazes de estimular cobiça aos mais incrédulos. Afinal nem os aficionados se encantam. É só maquete e as obras expostas são objeto de eleitoralismo perene transitando de promessa em promessa até à imaterialização final. De qualquer forma serve para, em jeito de prestação de contas do mandato, mostrar a obra que não fez. Não fora o facto da revista ser paga por nós, e não é pouco, esta pantominice até tinha piada tal é o lado fantasioso em que assenta.

Como a campanha é para altercar ideologias, discutir propostas, defender programas  - aqui lanço o repto à comunicação social local para organizar debates públicos com os candidatos - e como sou membro ativo de uma das candidaturas, à semelhança do que fiz em artigos anteriores, aqui exponho alguns dos compromissos que o BE, que já apresentou o seu Programa Eleitoral,  assume com os barcelenses.

Em matéria de ambiente, para além de continuar a exigir uma séria e eficaz despoluição do Cávado e ribeiros afluentes bem como o usufruto das margens tornando-as aprazíveis e edificando estruturas de apoio ao lazer e desporto, defendemos a criação de um Parque Urbano que estimule a prática de atividades desportivas e lúdicas a todos, inclusive às pessoas portadoras de deficiência, e que tenha a função pedagógica de educar crianças e jovens para a preservação de espécies autóctones. Pugnamos pela criação de dois “corredores verdes” que sirvam de tampão ao crescimento anárquico da cidade inseridos num plano integrado de construção urbana e periurbana, funcionando como um parque verde contíguo e corredor de acesso ao rio. Quanto à mobilidade no concelho, consideramos imperioso a implementação de um serviço público de transportes coletivos capaz de articular os vários polos rurais com a cidade. Colocação de postos de abastecimento de energia zero emissões (veículos elétricos). Traçar percursos pedestres de mobilidade suave e saudável, bem como ciclovias urbanas que limitem o trânsito no centro histórico.

Perante a premência de forte redução das emissões de CO2, a melhoria do traçado urbano, o uso racional dos recursos e alterações profundas nos modos de transporte passaram a ser obrigações das autarquias e exigências da cidadania. Propomos a adesão de Barcelos ao projeto ClimAdapt como adoção de Estratégias Municipais de Adaptação às Alterações Climáticas. Este compromisso de autarcas, subscrito em Portugal por 26 concelhos, é um instrumento de intervenção municipal que não deve ser menosprezado, até porque obriga à elaboração dum diagnóstico rigoroso do desempenho energético territorial e, posteriormente, à apresentação dum plano de ação e respetiva monitorização, bem como a adoção duma abordagem integrada para lidar com novos hábitos de consumo. É um importante contributo para que os municípios passem a ser protagonistas muito mais ativos no combate às alterações climáticas.

A uma autarquia exige-se que tenha uma estratégia de desenvolvimento, que prime pela transparência e pela participação coletiva, que seja potenciadora de oportunidades estimulando a sociedade civil, privada ou associativa, a desenvolver projetos que explorem as competências, vocações e motivações no sentido de melhorar a qualidade de vida dos munícipes. 

O BE quer contribuir para este paradigma e intrometer-se nos destinos políticos do concelho. A previsível dispersão de votos nas próximas eleições, abre oportunidade para a formação de um executivo plural e multipartidário, onde o compromisso e a abertura a novas ideias substitua a política da prepotência, cujos resultados altamente negativos são bem visíveis. Este pode ser um momento histórico de viragem, onde as propostas, historicamente mais ligadas à esquerda, à proteção ambiental, às pessoas, passem a ser uma realidade.

Não é tudo igual, nem tampouco semelhante. Urge despertar, dar oportunidade a alternativas que marquem a diferença, que reponham a credibilidade da política e o orgulho de ser barcelense. O tempo é de opções e destas depende o presente e o futuro das nossas vidas.