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"O adversário político da Esquerda é a Direita."

esquerda.net

A Comissão Concelhia do BE Barcelos solicitou ao Diretor do Jornal “Barcelos Popular” a  possibilidade de repor a veracidade de factos a propósito de declarações constantes de um artigo de opinião publicado na edição de 4. Fevereiro do referido jornal, intitulado Conclusões sobre a Eleição Presidencial (página 5) da autoria do membro da direção local do PCP, Mário Figueiredo.

 

Para além de provocatórias afirmações sobre a candidatura presidencial de Marisa Matias num jeito trauliteiro e afrontoso chegando a apelidar a candidata de “produto da social-democracia a adaptar-se à crise capitalista”, bem como quando insinua que a insolente designação de “engraçadinha” se enquadra muito bem com a pessoa em causa, é a forma indecorosa como faz coro com a direita ao considerar o BE de demagogo e populista. Mas mais grave que tudo isto, que leva o BE Barcelos a tomar posição, é o referido articulista distorcer factos para enredar opinião, nomeadamente quando alega que a candidata Marisa Matias “mentiu descaradamente” no debate com o candidato Edgar Silva, a propósito da opção de voto aquando da resolução do parlamento europeu sobre intervenção na Líbia. Esta contenda, que data de 2011, foi na altura devidamente escalpelizada e pensava-se que esclarecida. À falta de melhor argumento foi trazida à liça pelo candidato apoiado pelo PCP no decorrer desse debate televisivo. Em resposta a este infundado ataque político, Marisa Matias disse a Edgar Silva para estudar melhor o assunto e consultar as atas do PE. O reafirmar desta atoarda por parte de Mário Figueiredo só pode revelar desonestidade política ou ignorância. Se é infâmia lamentamos e aconselhamos a retratar-se. Se é desconhecimento, esclarecemos.

 A resolução foi resultado da fusão de várias propostas de vários grupos políticos, como normalmente acontece. Só se votam as resoluções de grupo se não existir compromisso ou este for chumbado. Neste caso da Líbia, por razões diferentes, todas as bancadas procuraram um compromisso. Só que o texto final contém um ponto que implicou discordâncias e posição contrárias - ponto 10, porque abre as portas a uma intervenção militar, mesmo que não assumida e limitada de hipóteses. Por esse ponto ser problemático e ter sido mantido na resolução, foi alvo de votação à parte. Por isso, a resolução teve duas votações, uma geral e outra específica para o ponto 10. Caso a resolução tivesse sido aprovada e o ponto 10 chumbado, como defendido pelo BE, permitia pôr em prática tudo quanto tinha a ver com apoio humanitário, sanções, embargos, condenação da política de Kadhafi,  … excluindo-se, sempre,  a possibilidade de intervenção militar. Chumbando a resolução, chumbava-se tudo e dizia-se a Kadhafi, na prática, "faz o que quiseres, nós lavamos daí as mãos e os refugiados que morram no deserto". Foi a opção de voto dos deputados do PCP - contra a resolução na generalidade e contra o ponto 10. O deputado e a deputada do BE votaram a favor da resolução excluindo o ponto 10 sobre o qual votaram contra, por considerarem que somente esta parte do texto era problemática e de ambígua interpretação. A votação do ponto 10 foi de 573 votos a favor, 24 contra e 25 abstenções. E entre estes 24 votos contra a possibilidade de intervir militarmente na Líbia contaram-se os votos de Miguel Portas e de Marisa Matias (Rui Tavares não votou contra, mas ele nessa altura já se tinha afastado do Bloco). A votação final pode ser consultada aqui.

Caso subsistam dúvidas de fundamentação e de esclarecimento sobre a opção de voto, aconselha-se a consulta do artigo publicado pelos deputados do BE ao PE, à época, Miguel Portas e Marisa Matias.

Noutro ponto do artigo de opinião da autoria de Mário Figueiredo, também é dito que Mariana Mortágua ao afirmar que não havia nenhum deputado do BE com subvenção estava a ser populista “como se algum deputado do BE, atual ou anterior, reunisse condições para requerer a subvenção”. Mais uma vez o dirigente local do PCP se confunde ou quer confundir. O que os deputados do BE nunca poderiam requerer é a subvenção vitalícia, mas poderiam ter requerido a subvenção de reintegração ou de reforma (casos de Francisco Louçã e Luís Fazenda no parlamento nacional e Alda de Sousa no parlamento europeu) e nunca o fizeram porque sempre consideraram estes subsídios como privilégio e não como um direito. A opção é de cada um(a) e de cada partido ou coligação, mas a avaliação política deve ser claramente assumida e nunca permitir a interpretação dúbia de que defendemos a causa aplicando os efeitos aos/às outro(a)s. Neste sentido, podemos dizer com agrado e orgulho nos valores e na atitude, que o BE é o único partido cujos deputado(a)s nunca requereram qualquer subvenção.   

Todas as interpretações políticas são legítimas e podem ser objeto de consideração critica e/ou discordância, mas não vale tudo e nunca é aceitável nem admissível recorrer-se à calúnia e à maledicência para justificar quaisquer situações, muito menos ressabiamentos de resultados eleitorais. O adversário político da Esquerda é a Direita.