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Fazer o que há muito devia ter sido feito!

Como é prática institucional, o presidente da câmara solicitou o envio de contributos para a elaboração do Plano de Atividades e Orçamento para 2020. Como é dever partidário o BE fez chegar à autarquia as propostas que considera de premente aplicação. Como tem sido habitual, o executivo camarário nada se importará com o enviado e nada inscreverá no documento final.

Insistindo nesta prerrogativa democrática e tendo por princípio a marca de identidade política e o inscrito no programa eleitoral, que servirá sempre de guião de assunção de compromissos, foram apresentadas propostas de diferentes domínios de intervenção, das quais, resumidamente, destaco as seguintes:

Consolidação do Orçamento Participativo, em que a decisão política de intervenção no espaço e definição de prioridades infraestruturais com consequente aplicação dos fundos públicos, passe por um processo de debates temáticos e territoriais. Diga-se, que finalmente parece estar a ser realizado.

Criação de um Observatório do Emprego que englobe os parceiros sociais locais, de modo a fazer um diagnóstico claro da situação e projetar soluções alternativas, até como forma preventiva e acautelada de hipotéticas crises económicas.

Formar uma Agência de Inovação e Desenvolvimento nas áreas de criação de valor acrescentado - desenho, gestão, comercialização, marketing - a desenvolver no Vale do Cávado e articulada com o IPCA, destinada a prestar serviços avançados às empresas que enveredem pelo caminho da inovação e incubação de projetos e de autoemprego;

Na defesa da sustentabilidade dos terrenos e dos cultivos, estimular a prática da Agricultura Biológica e Orgânica, com o objetivo específico de criação de uma Bolsa de Terras de produção biológica coordenada pelo Gabinete Municipal de Apoio ao Agricultor. Implementar, na área periurbana, “hortas familiares” como forma de equilíbrio financeiro das famílias e de fuga ao isolamento de pessoas em situação psicossocial desgastada. Disponibilizar espaço e apoio logístico para a criação de um mercado de venda direta dos produtos agrícolas, que para além de abastecimento público dos consumidores finais, também fossem estabelecidos protocolos com as cantinas escolares para a venda dos produtos agrícolas produzidos no concelho.

Como contributo municipal para a descarbonização e preservação ambiental, inclusive dando cumprimento ao aprovado na última reunião de AM - inclusão de medidas no OM, com atribuição de respetiva verba, que respondam ao objetivo de cortar 50% das emissões de gases com efeito de estufa até 2030 – insta promover a mudança de paradigma de sociedade, tanto ao nível do modelo de produção quanto dos padrões de consumo. Assim é preciso expandir a cobertura territorial, com novas linhas e maior frequência, dos Transportes Urbanos Coletivos (BarcelosBus) e elaborar um Plano Municipal de Eficiência Energética e de combate às alterações climáticas;

Criação de dois “corredores verdes” que funcionem como um tampão ao crescimento anárquico da cidade, inseridos num plano integrado de construção urbana e periurbana, formando como que um parque verde contíguo e de corredor de acesso ao rio Cávado dinamizando as margens com áreas de lazer convidativas à prática de caminhada. Por outro lado, urge construir a prometida Ecovia em todo o percurso do rio que atravessa o nosso concelho, dando continuidade à ligação entre Esposende e Prado, complementando-a por um circuito urbano de ciclovias que permita fazer da bicicleta um modo de transporte urbano. De uma forma eficaz e lúdica pretende-se voltar as pessoas para o rio tornando-as vigilantes do espaço envolvente.

Criação de um Parque Municipal, num local próximo do espaço urbano, com diferentes valências de intervenção – desportiva e recreativa, mas também pedagógica educando as crianças e jovens para a preservação ambiental, e científica para o estudo e reprodução de espécies autóctones.

Na área de intervenção cultural continua-se à espera de um projeto para o Cineteatro Gil Vicente que o torne um polo dinamizador de ecléticas dimensões artísticas. Realização de um Festival Literário anual, que traga escritores à cidade, que tenha associado debates e workshops, e um prémio literário, como forma de potenciar o trabalho dos autores locais e a partilha de experiências;

Criação de um local de culto musical, onde as imensas bandas barcelenses possam usar como ponto de contacto para ensaios e espetáculos, afirmando Barcelos no centro do espaço musical jovem nacional.

As associações culturais e recreativas devem ser chamadas a desempenhar um papel fulcral na dinâmica cultural do concelho, trabalhando em parceria com a autarquia. A esta compete uma gestão de coordenação do movimento associativo que pugne pela junção das Associações num espaço comum e pela capacidade mobilizadora das sinergias decorrentes dessa conjugação, dando enfoque ao trabalho articulado com as escolas no sentido de sensibilizar crianças e jovens para as artes, promovendo dinâmicas pelo interesse e motivação dos alunos. O mesmo pode ser feito com o desporto.

Sendo que estas são algumas das muitas propostas apresentadas, a intenção é responder a recorrentes aspirações, melhorar condições e qualidade de vida dos barcelenses e projetar um desenvolvimento sustentável do concelho assente em premissas realistas e eficientes. Vamos fazer o que ainda não foi feito e há muito que devia ter sido.