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Viva o 6 de Maio!

Vem este título a propósito de uma entrevista do alcaide-mor das terras do galo em que, segundo reza a lenda, a evocação deste dia marca o término do sofrimento perante a forte investida das tropas do ex-amigo. Talvez por inspiração divina dos centenários milagres de Maio, o soberano, que estoicamente “aguentou até ao limite”, teve na luz desse dia o cintilante alento da destituição dos comparsas traidores. Assim pereceu a maquiavélica tentativa de assalto ao condado barcelense, perpetrada pelos ex-fiéis à sotaina do absolutismo. Se até aqui a intriga perene da bomba e do carro e a sagaz coscuvilhice até altas horas da madrugada não permitiam que o concelho acelerasse, a partir desta data lendária tudo se alterou e o burgo, agora entregue em unívoco à micro-gestão, encetou um processo de conta-corrente, ao jeito da anotação diária de um deve-haver de mercearia, que falaciosamente governa, realisticamente protela e efetivamente atrasa. Nada mais se disse sobre qualquer projeto estruturante, nada mais se fez por qualquer promessa eleitoral, nada mais se criou de benefício para a população. Por isso, lanço uma petição-pública para que o 6 de Maio seja instituído como dia pedagógico do concelho para educar sobre o que não fazer, com o intuito de formar uma consciência critica coletiva que evidencie o descalabro destas irresponsáveis atitudes e seja capaz de exigir um novo assumir de compromissos para a governação autárquica.  

Numa próxima entrevista, previsivelmente, teremos a resposta dos visados, à altura da contenda, para acicatar a fogueira dos dislates e adensar a bruma das desconfianças e deslealdades. Pelo meio somos brindados com a inaptidão PSD, fulanizando a escolha de ininterruptos aspirantes, numa espécie de tiro ao candidato, atiro ao outro e disparo para todos, à espera que reste nenhum e tenha que ser o que não queriam. É a teoria da exclusão de partes, que encaixa nas exigências do parceiro de coligação – qualquer um serve. O que importa é estar sentado na cadeira do lado da direita.

Se assim tem sido na preparação, ainda a procissão vai no adro, imagine-se quando o cortejo estiver a chegar aos Paços do Concelho. Não podemos permitir que umas eleições autárquicas sirvam para esgrimir intrigas pessoais ou ajuste de contas de fação. Discuta-se o que é discutível, credibilize-se o sentido de serviço público, enalteça-se a conquista do poder local.

Urge marcar posição política e apresentar candidaturas com programas eleitorais que definam claramente prioridades de intervenção e propostas de ação, que evidenciem planos de desenvolvimento estruturado em apostas de sustentabilidade presente e futura, que exprimam a conceção de governação local, bem como os princípios e valores da sua execução. 

O BE apresentou os seus primeiros candidatos. Não perdendo o sentido crítico da vivência política local, diga-se que tem gerado um manancial de recorrentes casos caricatos como que um vespeiro de insídias, assumo a tendência de opinião que aqui expressarei porque sou um dos candidatos anunciados e tenho, obviamente, total identidade com a candidatura, absoluta confiança pessoal e política no candidato à Câmara e inteira esperança numa forte mobilização pelo debate de ideias, de propostas, de desígnios para o nosso concelho.  

Importa abrir uma discussão capaz de produzir o sentido de um novo ciclo autárquico assente no princípio do direito à cidade, entenda-se por local de ocupação humana, como espaço público de fruição e participação, capaz de gerar o orgulho de pertença e o sentimento de presença a todos os habitantes.

As autarquias, enquanto poder de proximidade e afinidade, têm de cumprir na íntegra a função social de inclusão e combate à pobreza, à discriminação, à desigualdade. Têm de definir políticas de direito à habitação, de acesso à água de qualidade e ao saneamento - pelo que têm de ser serviços públicos -, ao serviço nacional de saúde e à educação pública, à mobilidade e aos transportes coletivos. A democracia, na forma e nos atos, terá que assumir o papel catalisador de toda a prática de ação politica e social.

Os objetivos de desenvolvimento económico do concelho, devem assentar em atividades que geram valor acrescentado, qualificam o trabalho, combatem a precariedade, utilizam de forma eficiente os recursos disponíveis e não degradam o ambiente. O rio, espaços verdes, floresta, práticas agrícolas, requerem uma atenção especial como salvaguarda do património natural coletivo. O ordenamento e planeamento do território é essencial para garantir o interesse público, a conservação ambiental e a sustentabilidade das atividades.

Todas estas, e muitas outras, temáticas, devem servir de mote para a liça eleitoral que está em curso, engrandecendo a razão da conquista e da construção do poder local. 

 

Artigo de opinião publicado no Jornal de Barcelos