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Barcelos que temos e o que queremos!

O poder local, grande conquista de Abril, tem de ser gerido segundo princípios de transparência, de eficiência e de democraticidade plena. Nem sempre assim tem sido e, por via disso, em muitas localidades esta conquista tornou-se uma excrescência da própria democracia. Tiranos de “quintal” brotaram por esse país fora, numa espécie de “queridos líderes” locais. Teias de contaminação autárquica urdidas no interesse das conveniências, germinaram na encruzilhada de relações perigosas entre a política e os “senhores da terra”. Promessas perenes, propostas traídas e compromissos adiados contam a história de muito do atraso dos concelhos. Falta de visão alargada e de ambição coletiva, tacanhez de perspetivas e desresponsabilização dos atos, por incompetência ou por propósito, espelham a quimera de tantos autarcas. É verdade que há exceções, mas são exceções e raramente excecionais. E Barcelos não é exceção. Não por ironia do destino ou por fatalismo divino, mas é certo que temos tido “galo” com os governantes eleitos. Depois de décadas de absolutismo e marasmo PSD, vamos para oito anos de prepotência e ineficácia PS. Dissipou-se o capital de esperança na mudança. Tudo tão igual com a desvantagem de ser em nome da diferença.  Tomemos como exemplo o imbróglio da água. PSD comete o crime de gestão pública ao firmar contrato de concessão leonino acrescido de obscenas cláusulas. O PS afronta com a caução da desgraça e a bênção do impensado. Arrasta impugnações pelo aglomerar de sentenças, improvisa acordos no secretismo do edil-mor e negoceia com a mestria de ceder benefício ao adversário. Ainda agora (2ª feira), o Sr. Presidente da Câmara, no recato dos eleitos e no apelo ao sigilo da novidade, apresentou as mesmíssimas propostas do famigerado acordo de princípios revelado em novembro de 2015. Mais de ano e meio de aturadas negociações para certificação das iguais proposições de autoria da empresa concessionária. Acresce dizer que o Sr. Presidente, na clareza do nebuloso processo, fez saber da sua predileção pela proposta de aquisição de capital acionista correspondente a 49%. Curioso e habilidoso desfecho. Faz de conta que se remunicipaliza em formato PPP, numa solução que mantém, mesmo que mitigado, o contrato de concessão sob o controlo maioritário de privados, ao mesmo tempo que passa o ónus politico da questão para a vereação e AM em período eleitoral. O problema estava resolvido vocês é que não decidiram a favor dos barcelenses, dir-se-á caso não haja aprovação. Entretanto estamos no terceiro-mundo infraestrutural de saneamento básico em que somente 30% da área de superfície do concelho tem cobertura e em muitas freguesias faz-se despejo para os campos agrícolas e para a rede pluvial com escorrência a descoberto por caminhos, num autêntico atentado à saúde pública.

Faça-se com que esta campanha autárquica seja, pelo menos, objeto de discussão do que verdadeiramente interessa discutir. Tentando contribuir para esse desiderato, sem depreciação de muitos outros temas que devem constar das diferentes perspetivas politicas, lanço algumas das inquietações temáticas que a campanha do BE, na qual estou inteiramente empenhado, levanta de momento.

Que plano de recuperação e reabilitação do centro histórico e áreas envolventes, bem como plano de (re)criação e revitalização de praças públicas, as candidaturas apresentam?Que propostas de qualidade ambiental e de restituição do rio Cávado, como elemento central da natureza do concelho e como progenitor da urbe? Deve, ou não, ser criado um Plano Verde que inclua o traçado de um corredor que englobe a criação de um parque urbano de recreação e prática desportiva? É, ou não, premente um Plano de Mobilidade que estruture as grandes vias de comunicação que atravessam o concelho com uma rede eficiente de transportes, capaz de articular os vários polos rurais com a cidade e esta com o seu espaço periurbano? Que modelo de desenvolvimento para o concelho defendemos, que apostas estratégicas devem ser valorizadas, e que Barcelos queremos num futuro próximo? Quando é que o nosso concelho amadurece a democracia e a torna participativa sobre o interesse coletivo, corresponsabilizando a comunidade nas decisões a tomar?

A candidatura do BE é com a população que quer discutir para melhor conhecer as realidades e mais legitimamente defender perspetivas de intervenção. É numa variada geometria social, representativa da vivência das pessoas no concelho, que pretendemos assentar posições, fundar e fundamentar meios de ação. É com todos quantos os que connosco queiram refletir, sugerir, opinar, que queremos construir o programa eleitoral.