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Moção do BE sobre o Teatro Gil Vicente de Barcelos

No sábado passado debatemos aqui neste mesmo auditório a devolução do Hospital de Barcelos pretendida pela Santa Casa da Misericórdia e o seu progressivo esvaziamento de serviços e valências. Notámos a ausência, nesse debate, de grande parte dos partidos com assento nesta Assembleia , apesar de todos terem sido convidados a participar, assim como os srs. Presidentes de Junta e todas as outras instituições do Concelho, incluindo a Santa Casa da Misericórdia.

Para nós a defesa do Hospital público de Barcelos é uma prioridade absoluta. Apesar de todos os partidos terem votado favoravelmente a nossa moção, aqui em Assembleia e vários destes partidos porem o emblema da sua defesa hipocritamente na lapela ou em anúncios públicos, a verdade é que duvidamos da sua real intenção.

Durante a tarde desse mesmo sábado, realizámos o nosso Encontro Distrital Autárquico, no auditório da Junta de Freguesia de Arcozelo e a cujo presidente queremos agradecer publicamente a simpatia pelo seu acolhimento. Nesse Encontro aprovámos como lema principal das nossas candidaturas autárquicas a “Resposta à Emergência Social”. Para nós é também uma prioridade absoluta.

Hoje, no entanto, queremos falar-lhes de uma outra prioridade.

Apesar de décadas sucessivas de políticas municipais que levaram ao esvaziamento do centro da cidade, de há uns tempos para cá as noites de Barcelos fervilham com um intenso movimento de jovens que enchem por completo os bares do Largo da Porta Nova, do Apoio e ruas vizinhas e um improvisado Círculo Católico, transformado em local de poiso e  atuação de jovens artistas e performers.

Já antes, Barcelos foi referenciado pela imprensa nacional e especializada como sendo uma espécie de capital do rock alternativo, tal a profusão de bandas e músicos existentes na cidade e concelho. Os festivais de rock e de outros estilos musicais sucedem-se.

Esta Câmara, bem, não deixou cair o “Milhões de Festa”, mas, mal, acabou com o “Subscuta”, um programa de divulgação musical, e não só, de muito boa qualidade que começava já a ter um público fiel.

A importância destas realizações e do surgimento deste público jovem para a revitalização do centro da cidade e a dinamização da economia local é muito relevante e não pode ser descurada.

A dinamização cultural, de par com o apoio ao turismo, ao artesanato e à atividade de cafés, restaurantes, hotéis e demais comércio, tem de ser também encarada como uma prioridade capaz de se constituir numa solução para a crise que afeta Barcelos e o resto do país.

É neste contexto que a abertura imediata, ultrapassadas todas as dificuldades burocráticas e erros cometidos, do Teatro Gil Vicente é de uma urgência absoluta.

Já não existem desculpas, passados 4 anos de mandato, para manter o Teatro Gil Vicente fechado. Uma obra que custou muitos milhões de euros aos barcelenses, ao erário público.

O Bloco de Esquerda propõe que as portas do Teatro Gil Vicente, sejam abertas, no mais curto prazo de tempo possível, a esta importante movida cultural que alastra pela cidade.

O Gil Vicente deve ser o palco de grupos de teatro, de música e de outras artes, bem como palco para debate de temas de interesse coletivo.

Queremos também propor que haja uma aposta decisiva no apoio ao artesanato típico local, aos barristas que se situam em Galegos, sobretudo.

Que a Câmara crie condições para que estes barristas tenham condições, nos seus locais de trabalho e venda, para receber os turistas de visita ao nosso Concelho e se implemente um roteiro turístico que se possa divulgar e incluir nos circuitos nacionais e internacionais.

Mais, achamos que a Câmara devia chegar a acordo com donos de espaços comerciais desocupados ao longo da rua Direita, Avenida da Liberdade e outras ruas e praças bem localizadas, concedendo benefícios fiscais e outras regalias, para que, nem que fosse temporariamente, os artesãos pudessem instalar locais de venda das suas obras e ateliers de exibição.

A cidade pode e deve construir uma identidade centrada na cultura, no artesanato e no turismo.

É claro que o Museu de Olaria, cuja abertura está, finalmente para breve, tem de ser o pólo dinamizador desta atividade. Tem de ter maior visibilidade, um horário mais alargado, mais iniciativas.

É completamente insuficiente a Feira anual de artesanato que é realizada. Ela própria já um modelo importado de outras cidades e copiado pelo país fora sem qualquer criatividade e engenho. É um mau exemplo. Assim como é um bom exemplo a feira de velharias que com criatividade vai alimentando uma economia de apoio ao sustento de algumas famílias, vai trazendo visitantes à cidade.

Em suma, o BLOCO DE ESQUERDA propõe que esta Assembleia vote a seguinte Moção:

1 - Que o Teatro Gil Vicente abra ainda dentro do atual mandato efetivo do Partido Socialista, isto é 55 dias antes das próximas eleições autárquicas que se realizarão no final deste verão.

2 - Que o Município se comprometa a criar lojas de venda e exibição do artesanato local, com especial incidência no figurado de Galegos, nas principais artérias e praças da cidade, negociando a sua cedência com os donos de espaços desocupados.

 

 

Barcelos, 19 de abril de 2013

 

Os deputados municipais do Bloco de Esquerda