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Ano novo, desgastados anseios!

Na alvorada de um novo ano fazem-se balanços e projetam-se esperanças, evidenciam-se deceções e programam-se aspirações, prestam-se contas e projetam-se intenções. Desejo que a justiça dos bons princípios iluminem as atitudes e que a vontade do querer oriente o sonho de alcançar e almeje a conquista do acreditar.

Politicamente falando, numa visão localista, estimaria que o nosso concelho desse o salto da afirmação que sucessivamente tem sido adiado. Tal como disse em artigo anterior, a propósito do OM, já não basta melhorar e recompor algo do esquecido é preciso reparar e recuperar o atraso, porque só assim poderemos ambicionar um desenvolvimento harmonioso e compatível com as exigências da modernidade, capaz de proporcionar uma melhoria de qualidade de vida coletiva. Espero que este seja o ano do rio tornando-o nadável com aprazível usufruto das margens e frente ribeirinha. O ano da mobilidade com a consolidação e ampliação dos transportes urbanos, a criação de vias pedonais e cicláveis, funcionamento efetivo da ferrovia elétrica e eficientes meios de transportes coletivos rodoviários. O ano da sustentabilidade ambiental com plano de eficiência energética e de combate ao GEE, corredores verdes de ligação à cidade e de preservação natural do território concelhio, parque urbano e hortas familiares com função lúdico-pedagógica. O ano da preservação patrimonial, da requalificação arquitetónica e funcional do centro histórico, da identidade cultural e da massificação de espetáculos que instruam públicos e amplifiquem a criatividade artística. A este propósito quero manifestar tributo à iniciativa “Prata da casa” que em véspera natalícia fez nascer um périplo musical entre o intimismo da livraria da Pop-cave e o ecletismo da sala do CCO, numa conjugação harmoniosa de gosto e gozo entre músicos e público barcelense. Bem-haja a quem assim propícia que aconteça.

Também anseio que este seja o ano do início do novo hospital. Por iniciativa do BE, em discussão na especialidade, foi incluído no OE uma norma que consagra os procedimentos concursais. A este propósito, a boca e escrita de alguns dirigentes políticos locais – deputados municipais e nacionais, afetos a uma direita exasperada e ressabiada, tem produzido um manancial de hipócritas atoardas. Afirmam com a crença do inacreditável que o que está inscrito no OE, que se lembre é lei, não tem validade e em nada compromete quem assim decidiu. Esses partidos, e no caso concreto de um conterrâneo deputado, também votaram favoravelmente. Não sabiam o que estavam a votar ou não acreditam no que votam? O pior e mais desapropriado que se pode fazer, é partidarizar este legitimo desiderato comum. Agarremo-nos a esta oportunidade de fazer valer o que foi aprovado, ouçamos o que os profissionais, que diariamente se confrontam com os constrangimentos de trabalhar nas precárias condições que o edifício oferece, têm para dizer sobre o tipo de hospital apropriado, crie-se uma força de pressão que englobe todos em nome do mesmo. Chega de tretas e de arremessos político-partidários. A população exige o empenho de quem diz que os defende.

Sem esquecimento por muitas outras deliberações que gostaria que fossem tomadas no decorrer deste ano, há uma que considero prioritária e que urge resolver. É o problema do “negócio da água”. Uns dizem que a culpa já não é deles e até festejam o facto do seu mor ter sido absolvido de um processo criminal, cujo acórdão diz que o negócio que fez foi ruinoso para a parte que defendia e representava. Outros dizem que a estratégia passa por não extinguir a concessão, mas sim incorporar a empresa como sócio minoritário, funcionando como garante e afiança das divídas acumuladas. Tudo isto com o embuste de que esta é a única solução legalmente viável, mesmo com a ERSAR a fazer reparos demolidores e a entravar o processo há mais de um ano. No meio destas aparentes antagonias fica uma população carente de serviços básicos num concelho a resvalar para o terceiro-mundismo do saneamento. Onde está a remunicipalização defendida pelo PS no início, quase uma década, da contenda?

A terminar, uma vontade inabalável de engrandecer a democracia participativa. A Câmara Municipal, no cumprimento das diretivas da lei 50/2018 - transferências de competências para as autarquias locais, deve promover debates e sessões públicas de esclarecimento sobre as implicações que este processo de descentralização acarreta. As pessoas, para além de terem o direito a serem informadas, devem ser auscultadas e incentivadas a manifestar opinião sobre questões tão significativas para a comunidade do seu município. 

 

Artigo de opinião publicado no Jornal de Barcelos.