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Água-vai e água leva a transbordar em derrota!

Tal como se previa ainda a campanha vai no adro e os impropérios pessoais já estão em marcha. Diz Costa Gomes, candidato oficial do PS, que o acordo da água só foi possível no último ano após o estorvo Domingos Pereira ter deixado o executivo e que este só votou contra porque prejudica a sua campanha eleitoral e age por vingança para derrotar o partido. Por outro lado, acusa o vereador como culpado da Câmara não ter funcionários que cheguem. Responde o candidato oficioso do PS, agora na pele de independente, dizendo que o presidente não percebe nada do assunto e que perante a incapacidade revelada se deve demitir que ele assumirá a presidência. Continua a saga com a insolente incongruência de Costa Gomes. Depois de menorizar o intelecto dos membros da AM, ao justificar que tanto valia entregar os documentos com muitos ou poucos dias de antecedência porque os deputados não percebiam nada do assunto, agora argumenta que a AM é que tem aptidão deliberativa e que os vereadores que votaram contra a sua proposta estão a passar um atestado de incompetência aos deputados municipais, porque se julgam superiores a estes. E assim vai este jogo de dislates e de passa-culpas, numa espécie de entretém a ver se cola. A desforra é de tal ordem que nem têm a visão política de perceber que estão a ilibar o móbil da questão. Já nem se fala dos autores do ruinoso e criminoso contrato. O PSD até já se abstém para deixar rolar ou vota a favor por ordem suprema dos implicados. Se o dossiê concessão da água com tarifário a baixar 50%, entre outros factos, colocou o PS na Câmara. O desastroso dossiê do obscurantismo negocial da remunicipalização, entre outras desacreditações, pode retirar o PS do poder. Água-vai e água leva a transbordar em derrota!

Mas neste curto tempo de pré-campanha, também já tivemos algumas chalaças dignas de elencar nos “tesourinhos deprimentes” de comícios. Aqui há dias, aquando da apresentação do candidato da Coligação PSD/CDS, um demagogo eurodeputado, emproado na sua áurea trauliteira, exaltou as hostes com a ridícula tirada – Ao contrário de António Costa, Constantino não irá de férias quando o país está a arder. Interessante analogia só ao alcance de grandes zombeteiros. Agora foi Domingos Pereira, que enlevado na cintilante Sunset desencantou uma preciosidade analítica dizendo que os jovens de Barcelos têm sido abandonados e ostracizados e que só têm êxito quando dirigem as juventudes partidárias. Rematou o arrebatador discurso com a lapidar afirmação de que é preciso movimentos cívicos para correr com políticos incompetentes. Curiosa afirmação para quem tem 30 anos de partido muitos dos quais a presidente da concelhia. Lá saberá porque diz isto!

Não vale tudo, nem vale dizer qualquer coisa com o desrespeito de nada assumir. Um período eleitoral, como momento de aferição do realizado, deve servir para prestar contas do que se fez e, sobretudo, do prometido que não se fez. Neste particular o PS, ambas as fações, tem muito para explicar mesmo que muitas das situações não sejam compreensíveis. Por outro lado, também serve para apresentação de propostas e programas de ação em forma de compromisso com os eleitores. E já que na festa do sol de final de tarde se apelou à participação da juventude, que politicas vocacionadas para os jovens têm as candidaturas para apresentar? O BE tem propostas muito concretas e objetivas, entre outras, por exemplo: Criação de um Pelouro da Juventude com uma participação ativa e responsável dos próprios jovens, que implemente valores da cidadania, tolerância, pluralismo de opinião; Criação de uma “Casa das Artes” e Lançamento de um Roteiro de Atividades Culturais e Recreativas, que marquem ciclos de intervenção como Bienal de Arte, Concurso de Ideias, Mostras de Trabalhos das Escolas; Utilização de um espaço físico para ensaios, gravações e apresentações de projetos musicais (área em que Barcelos é caso de estudo nacional devido à proliferação e diversidade de grupos); Promover políticas que conduzam à recuperação de edifícios no centro histórico devolvendo-lhe a função residência ao afetar casas para habitação a custos controlados com subsídio municipal de arrendamento para jovens; Construção de infraestruturas desportivas como Parque Radical, Clube de Remo, campos desportivos nos terrenos contíguos ao Estádio Municipal, nova piscina municipal; Desenvolver parcerias com o IPCA e UM no sentido de promover a mais-valia técnica e formativa de emprego qualificado; Parcerias entre empresas do concelho e alunos dos cursos profissionais para implementação dos programas de emprego jovem, social e ambiental; Alargar a gratuitidade dos transportes escolares a todos os alunos abrangidos pela escolaridade obrigatória (12 anos); Oferecer condições materiais às escolas, para o desenvolvimento de temáticas comuns que promovam a identidade local.

Os jovens, enquanto principiantes da participação cívica, não têm que copiar modelos e adquirir vícios dos “grandes”. Reservasse-lhes o direito de tomar a vida nas suas mãos. Os jovens têm que pertencer à esfera da criação, sem receios nem rodeios, como condição de cidadania ativa e não meramente contemplativa ou de consumo.